Dia Nacional do Cerrado: uma história de preservação na empresa Vina

10 de setembro de 2026 - 13 min. de leitura

Mas, por que tantos dias dedicados a tantas datas? E por que um dia só para o Cerrado? As datas comemorativas nem sempre são sinônimo apenas de celebração. Instituído em 2003, o Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, também é um convite à reflexão, à mobilização e à defesa desse bioma diante das ameaças que ele enfrenta, como o desmatamento e o avanço da agropecuária. Comemorar, nesse sentido, também, pode ser uma forma de resistência: lembrar a importância do Cerrado, reconhecer sua biodiversidade e sensibilizar para a necessidade de conservá-lo.

E se, para falar sobre a importância de conservar o Cerrado, começássemos por um lugar que talvez nem pareça tão distante dessa realidade? Em meio ao ambiente urbano e à dinâmica de uma empresa: a Vina mantém uma área de vegetação nativa que carrega 20 anos de história de preservação, desafios, descobertas e aprendizado. Conhecer essa trajetória é também conhecer um pouco mais sobre o Cerrado e sobre as possibilidades de conservação desse bioma dentro das cidades.


Um pedacinho do Cerrado dentro da cidade

A área onde hoje está localizada a sede da Vina está inserida em uma região de grande importância ecológica, o Quadrilátero Ferrífero, em uma zona de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica. Essa característica contribui para a diversidade de paisagens e espécies encontradas no território e ajuda a compreender a riqueza da vegetação que já existia no terreno antes mesmo da construção da nova sede.

Quando a Vina adquiriu o terreno para a implantação da nova sede, a vegetação existente passou a ser objeto de estudos e levantamentos realizados pelo Departamento Socioambiental, com o objetivo de conhecer as espécies presentes e orientar as decisões relacionadas à preservação. O primeiro levantamento registrou mais de 60 espécies de plantas em uma área com pouco mais de 12 mil metros quadrados. A partir desse conhecimento, foi definida uma Área de Preservação dentro do terreno, que passou a integrar o planejamento e as ações relacionadas à implantação da nova sede.

Durante a construção, a área de vegetação precisou ser reduzida, mas as espécies registradas anteriormente permaneceram representadas no território. E a história não parou por aí. Novos levantamentos realizados ao longo dos anos ampliaram o conhecimento sobre a flora local e ajudaram a revelar uma diversidade que poderia passar despercebida em meio à paisagem urbana. Atualmente, o Cerrado preservado corresponde a cerca de 40% do terreno da Vina, resultado de uma trajetória construída ao longo de anos de estudos, manejo, desafios, recuperação e cuidado contínuo com esse fragmento de vegetação nativa.


Uma história construída por muitas mãos

Preservar uma área natural dentro de um ambiente urbano não é uma tarefa simples. Muito menos quando essa área está inserida em um projeto de construção. A história do Cerrado da Vina é também a história de muitas pessoas que passaram por esse território e contribuíram, de diferentes formas, para que ele chegasse até os dias atuais: biólogos, arquitetos, engenheiros, trabalhadores da obra, equipe operacional da Vina, pesquisadores, parceiros, educadores, estudantes, moradores da comunidade e tantos outros profissionais que, ao longo dos anos, fizeram parte dessa trajetória. 

Desde o início do Projeto Multidisciplinar Nova Sede, a preservação da vegetação existente foi considerada uma das diretrizes do projeto. Ao longo desse processo, foram realizados levantamentos da flora, coletas de sementes, tentativas de produção de mudas, resgate de plantas e ações de enriquecimento ambiental. Nem todas essas iniciativas tiveram os resultados esperados. Algumas mudas não sobreviveram, as tentativas de propagação por estaquia apresentaram resultados pouco satisfatórios para determinadas espécies e o resgate de indivíduos adultos também encontrou limitações relacionadas às condições climáticas, ao tempo disponível e à infraestrutura existente. Esses resultados, assim como os avanços, também fazem parte da história da conservação da área. 

Conservar não significa acertar sempre. Significa observar, aprender com as experiências, acompanhar os resultados e buscar novas estratégias diante dos desafios que surgem ao longo do caminho. É justamente nesse processo contínuo de tentativa, avaliação e aprendizado que a história do Cerrado da Vina vem sendo construída. 


Foto registrada em 2010

Quando preservar também significa enfrentar desafios 

Ao longo da implantação da nova sede, a Área de Preservação enfrentou diferentes impactos e desafios. Houve uma capina indevida que retirou a vegetação herbácea de parte significativa do terreno, além de incêndios criminosos, problemas relacionados à terraplenagem e outras intervenções que afetaram espécies nativas. Em determinado momento, uma área conhecida como Praça Central teve sua vegetação completamente destruída durante uma terraplenagem inadequada. O local, porém, voltou a apresentar sinais de recuperação e espécies nativas passaram a surgir espontaneamente, entre elas lobeiras, alecrins-do-campo, barbatimão e a catuaba (Anemopaegma arvense), espécie nativa ameaçada de extinção. O processo mostrou que, mesmo diante de intervenções e perdas, a vegetação do Cerrado pode encontrar caminhos para se recompor.

Outro desafio importante foi o fogo. Após episódios de incêndios criminosos, a equipe passou a realizar o acompanhamento periódico da vegetação, produzindo registros e relatórios para observar o processo de recuperação da área. Em um dos episódios, cerca de um ano após a queimada, foi observada uma recuperação significativa da vegetação, evidenciando uma das características marcantes do Cerrado: sua capacidade de resistência e resiliência. A experiência também impulsionou a busca por estratégias próprias de prevenção e combate aos incêndios. Entre elas, esteve o desenvolvimento, pela equipe da Vina, de abafadores produzidos a partir do reaproveitamento de tiras de câmaras de ar de pneus de caminhão, posteriormente testados e aprovados pela Brigada de Incêndio da empresa.

Foto registrada em 2026

Esses episódios ajudam a compreender que a preservação não acontece de maneira linear. A trajetória da área é marcada por avanços, dificuldades, perdas, recuperação e aprendizado. Cada situação enfrentada também trouxe novos conhecimentos sobre o território e contribuiu para aprimorar as formas de cuidado e manejo adotadas ao longo dos anos.


Conhecimento também é uma forma de conservação 

Com o passar dos anos, o conhecimento sobre o Cerrado da Vina também se ampliou. O levantamento florístico realizado em 2017 registrou 132 espécies pertencentes a 47 famílias botânicas, representando um aumento de quase 60% em relação à riqueza identificada no primeiro levantamento. Mais recentemente, entre 2022 e 2023, o Diagnóstico Local de Flora e Vegetação, publicado em 2025, ampliou novamente esse panorama, registrando 273 espécies pertencentes a 53 famílias botânicas. Mais do que números, essa evolução demonstra como a pesquisa e o monitoramento são importantes para conhecer o território, acompanhar suas transformações e orientar as ações de conservação e manejo.

Mas o Cerrado da Vina não é feito apenas de plantas. A área também abriga diferentes formas de vida animal, incluindo aves, borboletas, lagartos e outros organismos registrados ao longo dos anos. Entre essas observações estão espécies como a cobra-verde e lagartos. Mais recentemente, a ciência cidadã passou a contribuir para esse processo por meio do iNaturalist, uma plataforma que permite registrar, organizar e compartilhar observações de espécies. Em 2026, a área já contava com cerca de 230 observações com valor científico, ampliando as possibilidades de interação entre pesquisadores e interessados na biodiversidade e fazendo com que o conhecimento produzido sobre o Cerrado da Vina ultrapasse os limites da própria empresa.


Educação ambiental: caminhos para conhecer e preservar

Conhecer uma espécie em uma lista é importante. Encontrá-la no lugar onde vive pode transformar esse conhecimento em experiência. Foi com essa perspectiva que, em 2017, a Vina inaugurou sua Trilha Ecológica Interpretativa na Área de Preservação, em uma caminhada realizada no Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho. Desde então, a trilha passou a integrar as ações de educação ambiental da empresa, recebendo públicos de diferentes faixas etárias, como equipe interna, estudantes de escolas públicas, moradores da comunidade do entorno e integrantes da Rede Socioambiental. As placas interpretativas, produzidas com materiais reaproveitados, apresentam elementos da flora e da fauna locais e ajudam a transformar o percurso em uma experiência de observação, conhecimento e sensibilização.

A educação ambiental, porém, não se limita ao percurso da trilha. Ao longo dos anos, também esteve presente em plantios de espécies nativas, visitas de estudantes, atividades com a equipe, rodas de conversa, dinâmicas educativas, campanhas, placas educativas e diferentes materiais produzidos a partir de elementos encontrados ou reaproveitados na própria área. Frutos, sementes, folhas e outros elementos da biodiversidade foram utilizados como recursos para aproximar as pessoas do ambiente. Durante a frutificação de espécies como pequi, gabiroba, cajuí e bacupari-do-cerrado, por exemplo, os visitantes puderam conhecer as plantas diretamente no ambiente em que vivem, observar seus frutos e, em alguns momentos, experimentar seus sabores. 

Em outros momentos, a educação ambiental ganhou novas linguagens, com desenhos produzidos pelos participantes, atividades sensoriais, plantios, observação da fauna e ações de ciência cidadã. Até mesmo durante a pandemia, quando as atividades presenciais precisaram ser interrompidas, as ações continuaram por meio de vídeos, cartilhas digitais, conversas virtuais e distribuição de sementes e mudas para cultivo em casa. Em 2026, essas ações continuam acontecendo e seguem reunindo públicos de diferentes idades e experiências.

Afinal, uma trilha pode ser o mesmo caminho, mas nunca é exatamente a mesma. Cada grupo que a percorre traz seus próprios conhecimentos, perguntas, percepções e formas de olhar para o território. São os visitantes que, a cada caminhada, também dinamizam e ressignificam esse percurso, transformando a trilha em uma experiência que se renova mesmo quando o caminho permanece.


Uma área pequena, uma história grande

Ao olhar para o Cerrado da Vina hoje, é possível enxergar muito mais do que uma área verde. São quase duas décadas de estudos, manejo, monitoramento, educação ambiental, pesquisa, parcerias e aprendizados construídos por diferentes profissionais que contribuíram para sua conservação.

Essa trajetória também mostra como uma área natural urbana pode ser espaço de pesquisa, educação, convivência e aproximação entre pessoas e natureza.

Parte dessa história está registrada no e-book “Desafios práticos de um projeto socioambiental de corresponsabilidade empresarial – Projeto Multidisciplinar de Construção da Sede Vina: preservação, métodos construtivos e educação socioambiental”, publicado em 2025. A publicação reúne experiências do Projeto Nova Sede e registros sobre a Área de Preservação, incluindo levantamentos de flora, ações de conservação, a Trilha Ecológica Interpretativa e iniciativas de educação ambiental.

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Também estão disponíveis estudos específicos sobre a biodiversidade da área, como o Diagnóstico Local de Flora e Vegetação.

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Conheça mais sobre o cerrado acessando o “Guia do Cerrado”


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E como está o Cerrado para além da Vina? 

A história do Cerrado da Vina também convida a olhar para o bioma em uma escala maior. Apesar de sua riqueza e importância ecológica, o Cerrado enfrenta um cenário preocupante. Segundo dados mais recentes do MapBiomas, referentes a 2025, a agropecuária ocupa 47,8% de sua área.

Segundo maior bioma do Brasil, o Cerrado abriga inúmeras nascentes e aquíferos fundamentais para a disponibilidade de água no país. Por isso, é frequentemente chamado de “caixa-d’água do Brasil”. A água, porém, não reconhece limites entre municípios ou estados, o que torna a conservação do bioma uma responsabilidade que ultrapassa fronteiras.

Diante desse cenário, conservar o Cerrado exige ações individuais e coletivas, além de políticas públicas comprometidas com sua proteção. Em um ano eleitoral, também cabe refletir: quais propostas os candidatos apresentam para conservar o Cerrado? Que compromissos assumem com a proteção da biodiversidade e das águas? Escolhas políticas também fazem parte da conservação ambiental.

Viva o Cerrado! Cerrado vivo!


Veja outros posts sobre o cerrado e a área de preservação da Vina

(Clique nas imagens abaixo)

Bacupari: um fruto do Cerrado

Dia do Cerrado 2015

Grafite Comunitário pelo Cerrado

O pequi é ouro

Trilha Ecológica na Área de Preservação de Cerrado da Vina


Fontes consultadas:

https://plataforma.mapbiomas.org/projects/mapbiomas
/brazil?tl[id]=32&tl[themeKey]=coverage&tl[subthemeKey]
=coverage_coverage-30m-droufo&tl[legendKey]
=coverage-bypu14&tl[pixelValues][]=3&tl[year]
[]=1985&tl[year][]=2024&t[regionKey]=brazil&t
[ids][]=1-4-3&t[divisionCategoryId]=4
 


https://www.wwf.org.br/?41225/11-de-Setembro-
Dia-Nacional-do-Cerrado


https://www12.senado.leg.br/noticias/materias
/2020/09/10/dia-nacional-do-cerrado-projetos
-reforcam-leis-para-protecao-do-bioma
 


https://vinaec.com.br/ebooks/construcao-sustentavel/ 

https://vinaec.com.br/wp-content/uploads/2025/06
/E-book_Vina-2025_Vol-1_Nova-Sede-compactado.pdf
 


https://www.parquecientec.usp.br/
saiba-mais/dia-nacional-do-cerrado
 


Ficha Técnica deste post

Coordenação 
Departamento Socioambiental Vina – Cláudia Pires Lessa


Texto
Luana Margarida Sabino Lobo - Bióloga- CRBio: 140788/04-P 

Fotos
Banco de Imagens Vina


Design Gráfico
Lika Prates
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